Após quase três décadas moldando narrativas fantásticas, Chris Perkins anunciou hoje sua aposentadoria da equipe de Dungeons & Dragons. O anúncio foi feito nas redes sociais Twitter e BlueSky, encerrando um dos ciclos criativos mais influentes da história recente do RPG de mesa.
Perkins entrou oficialmente para a Wizards of the Coast em 1997, começando como editor da revista Dungeon. Desde então, sua trajetória incluiu cargos como editor-chefe de periódicos da linha D&D, produtor sênior e, mais recentemente, arquiteto de jogo e editor-chefe de narrativa para as edições 5e e 2024 do sistema.
Today I retire from Wizards of the Coast after 28 years. With D&D’s 50th anniversary wrapping up and the revised rulebooks doing gangbusters, this is the perfect fairytale ending for me. I can’t wait to enjoy D&D purely as a fan again, knowing the game is in good hands. See you in the Feywild!
— Christopher Perkins (@chrisperkinsdnd.bsky.social) 2025-04-04T17:00:31.470Z
Seu envolvimento vai além das páginas: fãs também o conhecem por sua atuação como Mestre no grupo de streaming Acquisitions Incorporated, onde sua habilidade em criar mundos vivos e personagens cativantes conquistou uma geração inteira de novos jogadores.
Apesar da surpresa com o anúncio, Perkins garantiu que a equipe de D&D permanece em boas mãos. Em resposta oficial no BlueSky, o perfil do D&D Beyond destacou:
“Chris orientou a próxima geração de líderes enquanto se prepara para aproveitar sua aposentadoria. D&D está em boas mãos com a equipe.”
A comunidade, por sua vez, respondeu com um misto de nostalgia, admiração e reconhecimento. “Lembro de ver o nome dele no Warriors of Heaven, ainda na 2ª edição”, comentou um fã no fórum EN World. Outro relembrou com bom humor: “Assinei uma carta como ‘O Anti-Perkins’ nos tempos de Dungeon – hoje mal lembro o porquê. Boa sorte para ele!”
Uma Lenda Viva do RPG e o Peso de um Legado
Quando um nome como Chris Perkins se afasta da linha de frente de Dungeons & Dragons, não é apenas uma mudança de bastidores — é o fim de uma era. Durante quase trinta anos, Perkins esteve envolvido nas entranhas criativas de D&D, influenciando desde aventuras publicadas em revistas até o coração das edições mais jogadas do sistema.
Foi com ele que campanhas emblemáticas como Maldição de Strahd, Out of the Abyss e Storm King’s Thunder ganharam forma, equilíbrio e uma visão narrativa coesa que equilibra fantasia clássica com dilemas contemporâneos. Mesmo quem não lia seu nome nos créditos sentia sua presença na fluidez das aventuras, nos vilões memoráveis e nas escolhas difíceis que tornavam cada mesa única.
Para muitos, Perkins não era apenas um designer — era uma voz. Em painéis de convenções, vídeos de bastidores, artigos e participações em livestreams, sua presença era sempre marcada por um humor seco, um olhar generoso e uma compreensão quase instintiva do que torna o RPG mais do que um jogo: uma experiência compartilhada.
A comunidade respondeu à sua aposentadoria com um coro unânime de gratidão. “Ser humano maravilhoso”, escreveu um usuário no EN World. Outro acrescentou: “Não esperava por essa. Ele acabou de receber uma promoção, não foi?” — evidenciando o espanto geral, já que Chris havia assumido recentemente o papel de Diretor Criativo (ou equivalente) dentro do time da WotC.
Mais do que os livros que ajudou a publicar, seu maior legado talvez esteja na forma como inspirou jogadores, narradores e designers a verem o RPG como uma arte. Ele não criou apenas mundos — criou uma linguagem dentro da linguagem, onde cada aventura era um convite ao espanto.
O Fim de uma Era e o Início de Muitas Outras
A aposentadoria de Chris Perkins não acontece num vácuo — ela marca um ponto de inflexão em um cenário que, nos últimos anos, passou por reestruturações, polêmicas e reinvenções. A Wizards of the Coast prepara o lançamento da nova versão de Dungeons & Dragons para 2024, prometendo continuidade com inovação, regras compatíveis e um foco ainda maior na experiência digital.
Nesse contexto, o papel de Perkins como Game Architect da nova edição é mais do que simbólico — é o selo final de um ciclo criativo que ele ajudou a construir desde os primeiros esboços da 5ª edição. Agora, ao sair, deixa um time de designers e narradores que ele próprio ajudou a formar.
Segundo o perfil oficial do D&D Beyond no BlueSky:
“Chris orientou a próxima geração de líderes enquanto se prepara para aproveitar sua aposentadoria. D&D está em boas mãos com a equipe.”
Essa frase resume mais do que um comunicado institucional. Reflete uma transição de bastão que vem sendo construída com cuidado: nomes como Jeremy Crawford, Amanda Hamon e James Wyatt seguem desenvolvendo conteúdos, agora em posição de liderança, mas com DNA formado por anos de colaboração com Perkins.
E talvez seja essa a verdadeira mágica da narrativa que ele nos deixa: um mundo onde os mestres mudam, mas as histórias continuam. Onde aventuras são passadas de geração em geração, e o que permanece não são apenas os módulos — mas o convite à imaginação, ao improviso e ao encantamento coletivo.
No fim das contas, Perkins deixa o RPG como ele mesmo o descreveu certa vez: “uma conversa infinita entre amigos”. A sua voz se cala nos bastidores, mas reverbera em cada grupo que escolhe explorar uma masmorra, salvar um reino, ou simplesmente, sentar à mesa e contar uma boa história.
Confira um vídeo completo sobre quem foi Chris Perkins: